O Geovani e a sua formação

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Porto Alegre, RS, Brazil
Sou natural de Bataiporã-MS. Atualmente moro em Porto Alegre-RS. Sou casado com a Cristiane e pai da Sofia e do Joaquim. Declaro-me apaixonado pela vida! Sinto que a vida é um mistério e consegue vivê-la bem quem está apaixonado por ela. Tenho Curso Superior de Filosofia, Graduação (pela ESTEF e EST), Mestrado em Teologia Sistemática (PUCRS) e, atualmente, estou me especializando em Gestão da Educação, também pela PUCRS. Na ESTEF, atuei na como professor de Cristologia, Assessor e Coordenador dos Cursos de Extensão. No momento atuo como Supervisor de Pastoral das Unidades Sociais da Rede Marista. Gosto de ler, dialogar, escrever e postar sobre diversos assuntos e temas que a vida nos suscita.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Moltmann: os genes não explicam o gênio

Caro leitor/a! 
Informamos que o texto abaixo não é de autoria do dono do blog. Ele é simplesmente cópia fiel do site do IHU, da UNISINOS. O texto foi publicado no dia 13 de setembro de 2010. No final você encontra o acesso direto do sitio da Universidade.  

"O determinismo genético e neurológico não é capaz de abolir a nossa liberdade, a nossa responsabilidade, nem a nossa imputabilidade. Quem hoje tem interesse em abolir a nossa liberdade e de tornar os homens manipuláveis?"


A opinião é do teólogo alemão Jürgen Moltmann, em artigo para o jornal dos bispos italianos, Avvenire, 12-09-2010. A tradução da versão em italiano é de Moisés Sbardelotto.



Eis o texto:


Determinismo ou livre arbítrio? Esse antigo debate volta hoje à atualidade na pesquisa genética e na pesquisa sobre os neurônios. Somos gerados pelos nossos genes? Os genes existem na sua peculiaridade antes que a nossa consciência surja? Pilotam o nosso eu nos seus comportamentos? Determinam assim o curso das nossas vida e explicam por que nos tornamos como somos?

O conhecido jornalista norte-americano David Brooks escreveu em 2007 (Herald Tribune): "A partir do conteúdo dos nossos genes, da natureza dos nossos neurônios e da lição da biologia evolucionista, tornou-se claro que a natureza é constituída por competições e conflitos de interesses. A humanidade não surgiu antes das lutas pela sua própria afirmação. As lutas pela afirmação estão profundamente radicadas nas relações humanas".

Disso, ele tirava como consequência a natural disposição à competitividade do capitalismo e uma "visão do mundo trágica": "Assim como a natureza humana está predisposta tão agressivamente à luta pelo poder, precisamos de um Estado forte, de uma educação dura e de uma visão do mundo trágica". Trata-se do resultado de uma busca ou do interesse de uma ideologia? Eu acredito que se trate de pura ideologia naturalista, porque se fundamenta na redução do imprevisível sistema "homem" aos seus genes e neurônios previsíveis.

Assim, surge a fatal impressão de viver em um mundo fechado na sua causalidade, como se a nossa liberdade, que também percebemos no "tormento das escolhas", fosse uma ilusão. Se fosse assim, qualquer criminoso diante de um tribunal deveria apelar à incapacidade de entender e de querer, para depois ser absolvido enquanto não imputável.

Craig Venter foi o primeiro a decifrar o genoma humano. Decodificou também o seu próprio genoma, que foi publicado em todos os maiores jornais. Se o pudéssemos ler, saberíamos quem é Craig Venter? Se ele mesmo pode lê-lo, ele chega depois a conhecer a si mesmo?

Quando o encontrei pessoalmente em Taiwan, há dois anos, ele me contou como a guerra do Vietnã, combatida quando jovem, o mudou. O seu genoma não expressa nada de tudo isso, naturalmente, mas então por que a tese determinista segunda a qual seríamos pilotados pelos nossos genes e não teríamos nenhuma liberdade de reagir às experiências de guerra deste ou daquele modo?

Demos então um exemplo: na revista científica Nature Genetics foi publicado recentemente um artigo no qual era demonstrado por pesquisas desenvolvidas em todo o mundo que são os genes que determinam se os jovens se tornam ou não fumantes. O estudo documentava pela primeira vez os fatores genéticos por causa dos quais, nos receptores cerebrais da nicotina, determina-se de qual modo se desenvolve a dependência e o comportamento com relação ao fumo. Eu fumei muito de 1956 al 1976, depois deixei de fumar de um dia para o outro. Como pude fazer isso? A pesquisa genética, pelo que pude acompanhar, ultrapassou há muito tempo, nos seus expoentes, esse reducionismo ideológico.

A imagem da competitividade do gene egoísta, delineada por Richard Dawkins em 1978, é influenciada pelo darwinismo social. Os genes, de fato, são mais flexíveis do que os corpos sólidos, "ativam-se e desativam-se" e reagem aos influxos ambientais. As nossas experiências e as nossas relações com as outras pessoas, nas quais fazemos a experiência de acolhida ou de rejeição, influenciam também o funcionamento dos nossos genes. O médico alemão Joachim Bauer, que se ocupa da psicossomática, afirma, assim: "Os genes não pilotam apenas, são também pilotados" (Princípio Humanidade, 2006). Nas pesquisas sobre a inteligência, também são consideradas hoje mais as condições de vida do que as predisposições genéticas.

Chego ao resultado segundo o qual o determinismo genético e neurológico não é capaz de abolir a nossa liberdade, a nossa responsabilidade, nem a nossa imputabilidade. Pode-se aprovar ou rejeitar isso, mas as ideologias não explicam só os resultados de algumas pesquisas, sempre representam também os interesses de uma parte. Quem hoje tem interesse em abolir a nossa liberdade e de tornar os homens manipuláveis?

Fonte do texto: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-arquivadas/36255-moltmann-os-genes-nao-explicam-o-genio
Fonte da imagem: site do google imagens

sábado, 19 de maio de 2012

POR QUE FREUD REJEITOU DEUS?

Encontrei num blogger de assuntos de psicologia o artigo: Por que Freud rejeitou Deus? O texto foi postado por D. Toledo. Vou colar aqui o link de acesso do blogger, pois creio ser importante partilhar esse assunto com meus leitores. Acessem em: http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2012/03/por-que-freud-rejeitou-deus.html

Espero que gostem da leitura!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

III – É POSSÍVEL AINDA PREGAR A RESSURREIÇÃO?

O mundo é profundamente marcado por sinais de violência. Sinais de paixão (sofrimento) e morte sempre estiveram presentes na vida humana. O próprio Jesus de Nazaré experimentou, quando assumiu a nossa condição humana (sarx) esse nosso lado frágil. Ele nasceu, cresceu e viveu numa época de regime opressor. Seu povo vivia numa total dependência sócio-econômica-religiosa. É por isso que aqui falamos de paixão não apenas como madeiro. Mas como toda realidade de sofrimento e morte que atingiu Jesus e que atinge também a todos nós.

Também vivemos a experiência de Jesus de paixão e morte. Notamos que o sofrimento não nos atinge apenas individualmente mas também a nível ecológico, e porque não dizer cósmico. Assim nos damos conta de casos de dores e mortes absurdas e sem-sentido; que atingem principalmente inocentes. É aí que percebemos que o pior sofrimento e morte não são aqueles causados apenas pela degeneração biológica, comum ao ser humano. Mas, a violência do ser humano contra o seu próprio semelhante.

Diante desses sofrimentos, dessas lutas de cristãos e não cristãos a favor da vida, que aparentemente são em vãs, perguntamos: é possível encontrarmos sinais de ressurreição? Como cristão dizemos que sim. E dizemos isso porque acreditamos que conosco caminha o Ressuscitado em várias realidades.

Na realidade cósmica Cristo Ressuscitado – por não está limitado à realidade espácio-temporal – está em comunhão com todo o cosmos. Por sua glorificação e transfiguração Ele não abandonou o mundo e seu corpo, mas o assumiu de forma mais profunda e plena.

Na realidade humana o Ressuscitado está de forma especial. Já em Mt 28. 20b vemos a seguinte expressão de Jesus que confirma sua contínua presença em nosso meio: “E eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!”. Mas e aqueles que viveram antes do evento da ressurreição de Jesus? Segundo Leonardo Boff, os homens e mulheres que viveram antes de Cristo estavam apenas pela cronologia longe de Jesus. Pois, ninguém está fora do seu gesto redentor. A presença do Ressuscitado está em todos. Pois como imagem e semelhança de Deus (Trindade- O Filho) cada ser humano faz lembrar o humano que foi Jesus. Sendo assim, rejeitar uma pessoa, principalmente o pobre e excluído, é rejeitar o Ressuscitado. É levá-lo hoje à experiência da paixão e morte. “O ser humano é a maior aparição, não só de Deus, mas também do Cristo ressuscitado no meio do mundo”, afirma Leonardo Boff. Todos aqueles, sejam eles cristãos latentes ou patentes, que buscam o amor, a vivência da justiça, da solidariedade, da comunhão, manifestam já agora a presença do Cristo Ressuscitado.

Na Igreja também está o Ressuscitado. É ela a comunidade de fé, que testemunham a presença de Cristo no mundo. Mesmo sendo pecadora (porque é constituída de homens e mulheres) ela é o meio, através do qual Cristo nos atinge. É por isso que, sem a Igreja (para os cristãos) Cristo é impensável. Ela é o prolongamento da mensagem do Ressuscitado. A função da Igreja é de substituto do Reino e deve estar sempre aberta às diversidades culturais e situacionais. Como Espírito, o Ressuscitado ultrapassa as confissões religiosas e o antropocentrismo egoísta.

Então como queremos pregar a ressurreição?

Como vimos até aqui é difícil pregar a ressurreição desvinculada da paixão e morte. Pois a vida de Jesus, sua paixão, morte e ressurreição constituem uma unidade de um mesmo mistério. Assim como Jesus é bom anunciarmos a boa nova de vida plena buscando evitar a produção de mais cruzes, para nós e para os outros. Pois sabemos que o tema da cruz já se prestou muito para justificação de cunho ideológico. Porém, se tivermos que assumir a cruz em favor de mais vida, e não pelo sofrimento em si ( coisa que nem sádico o faz), como cristãos somos desafiados a assumir. Pois o ressuscitado nos mostrou que, doar a vida em favor dos outros, não é perdê-la, mas ganhá-la de forma mais profunda.

É por isso que queremos anunciar a ressurreição não como algo distante. Como um acontecimento que se dará apenas após a morte. Assim como a nossa morte, também acreditamos que a nossa ressurreição já começou. Ela é um processo que se revelou primeiramente em Jesus e se prolongará até conquistar toda a criação. Como cristãos, pela nossa fé, cremos que há vida para além desta vida.

Autor: Francisco Geovani Leite

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

II - A ressurreição do ser humano

Neste dia em que social e religiosamente lembramos os mortos tratamos do tema da ressurreição do ser humano. E perguntamos: Que sentido/significado tem para o ser humano a nossa ressurreição? Iniciamos este tema aprofundando brevemente algumas concepções de ser humano e morte que foram sendo formuladas ao longo do tempo.

Para a antropologia bíblica o ser humano é uma unidade todo ele inteira. O ser humano é corpo e alma. Para a antropologia moderna, marcada por um lado pela cultura materialista (que se fundamentou mais no corpo) e por outro a cultura espiritualista (baseada mais no espírito), destacam a compreensão do ser humano como unidade. Atualmente a antropologia contemporânea, ainda que apresente vestígios da concepção moderna, compreende o ser humano como uma unidade complexa corpo-alma. Estas concepções têm grande importância para compreendermos o tema da morte. Já que, como diz Leonardo Boff, “o sentido que damos à morte é o sentido que damos a vida. E o sentido que damos à vida é o sentido que damos a morte”. Isso nos faz afirmar que a morte é uma experiência cultural. Ou seja, o sentido dela varia tanto quanto o número de culturas. Enquanto para nós ocidentais a vida é tudo, levando-nos muitas vezes a ocultar e até negar a morte, para os antigos gregos o sentido autêntico da vida está no além morte (Sócrates): “morremos para viver mais e melhor”.

Segundo a concepção de Boff, a antropologia teológica compreende a morte como condição humana, nascimento (passagem), cisão e decisão.

Enquanto condição humana a morte está instalada dentro de cada ser. Morremos a cada instante. Essa é nossa condição biológica. Como nascimento (passagem) o ser humano - como no ventre materno - passa por uma violenta crise e é ejetado para o mundo (uma realidade até então desconhecida). Na morte acredita-se que aconteça o mesmo. Pois não sabemos o que nos espera do outro lado. Passamos por semelhante crise, enfraquecemos, agonizamos e somos “retirados” deste mundo para irromper num mundo muito mais vasto que aquele deixado pelo ser humano, através da morte. A morte também é cisão (corte). Isso acontece quando amas as curas do ser humano (biológica e pessoal) se cruzam, revelando o pleno desenvolvimento da interioridade e exigindo a morte da exterioridade. Além de passagem (nascimento) e cisão a morte é também de-cisão. Ou seja, no momento da morte dar-se aí a livre decisão do ser humano. É o momento do desfecho, que em vida realizou, para a total abertura ou para o total fechamento.

Para o cristão a morte não possui a última palavra sobre o ser humano. Na epístola aos coríntios, Paulo afirma que, assim como Cristo ressuscitou, também nós haveremos de ressuscitar (cf. 1Cor 15, 20-22). Aquilo que se realizou com Jesus, também há de acontecer com o ser humano. À pergunta: o que será do ser humano após a morte? A fé cristã responde com alegria: ressurreição como total transfiguração da realidade humana espírito corporal.

Porém surgem-nos algumas questões: quando ressuscitaremos? Com que corpo ressuscitaremos? Como é uma vida ressuscitada? Perguntas desse tipo já estavam presentes no pensamento dos primeiros cristãos, e foram tidas por Paulo como insensatas (Cf. 1 Cor. 15. 36). Pois tais questões ultrapassam nossas possibilidades de representação. Porém, diz Leonardo Boff, “nem por isso dispensamos de balbuciar alguma representação a respeito dessas questões”.

Então, quando ressuscitaremos? Há divergências entre os teólogos quando o momento da ressurreição do ser humano. Alguns defendem – como Boff – a ressurreição no momento da morte. Outros – Como Urbano Zilles – defendendo uma postura tradicional da Igreja, afirmam que há um período intermediário (ou, estado intermediário) em que a alma aguarda a ressurreição.

Para Leonardo Boff, afirmar que há, após a morte, uma “espera”, é uma forma inadequada de representação. Já que é, no momento da morte, que o ser humano chega ao momento decisivo de sua plenificação. Porém, Leonardo lembra que o ser humano é também nó-de-relaçao-com-o-universo. A nossa ressurreição – assim como a de Jesus na morte, não é totalmente plena: só o ser humano no seu núcleo pessoal participa da glorificação. É por isso que a nossa ressurreição só se tornará plena quando toda a criação também for glorificada. O ser humano ressuscitará definitivamente somente na consumação do mundo.

Mas, com que corpo ressuscita o ser humano? Há de se entender de que corpo estamos falando. O corpo que aqui falamos, que ressuscita na morte, é aquele que o apóstolo Paulo chama de corpo espiritual. Na Bíblia, corpo designa o ser humano todo inteiro em seu relacionamento com o outro (grego: soma; hebraico: basar). É por isso que aqui afirmamos que não há ressurreição sem corpo: o corpo de ressurreição possuirá a mesma identidade pessoal e material com aquele que éramos na existência espácio-temporal. Não podemos confundir identidade corporal com identidade material (ou seja, da matéria do corpo). Na morte, quem ressuscita é o nosso eu pessoal. Explicitando melhor, aquilo que criamos em interioridade, dentro da vida terrestre, eu esse que sempre inclui também relação com o mundo e por isso corpo.

E como seria uma vida ressuscitada? Diferente de reencarnação, uma vida ressuscitada é diferente desta que temos. É por isso que dizemos que uma vida ressuscitada é verdadeiramente humana (o ser humano como um todo é introduzido na vida transfigurada); é vida nova (não é outra vida como esta, mas nova, revestida de incorrupção e imortalidade); e também vida plena (ou seja, que não está mais presa ao limites de nossa realidade; e porque todos os dinamismos latentes se expressam e ativam).

Texto: Francisco Geovani Leite
Imagem extraída do google imagens

No próximo texto falaremos sobre o tema: é possível pregar hoje a ressurreição?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

I - A ressurreição de Jesus

O que será do futuro da humanidade? Impulsionados por esta questão elaboramos esta primeira parte. Damos-nos conta de que com o atual desenvolvimento científico e tecnológico (principalmente na área da genética) o ser humano se abre, cada vez mais, a grandes possibilidades. Por isso, o pensamento científico não fica aguardando do céu o surgir de uma nova humanidade. Mas tenta criá-la com os meios que as ciências e a manipulação biológica lhes oferecem. Já a experiência cristã acredita que a nova humanidade (o homem novo) já emergiu. Chama-se Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado.

Com isso queremos dizer que por mais que, os cristãos, admirem e aplaudem os bons e humanizadores resultados alcançados pelas ciências, jamais confundirão isso com aquilo que Deus os prometeu com a ressurreição de Jesus.

Mas, como surgiu a fé cristã na ressurreição? Partindo da reflexão da atual exegese afirma-se que a fé na ressurreição funda-se no testemunho dos apóstolos que atestaram dois fatos: o sepulcro vazio e as aparições. O caso do sepulcro vazio é o mais confuso. Os relatos bíblicos sobre eles permitem várias interpretações. Entre elas o rapto do corpo de Jesus descrito em Mateus 28.13. Por isso, afirmamos que o sepulcro vazio, em si, não é sinal atestador da fé na ressurreição. Como tal – diz Leonardo Boff – o sepulcro vazio é um sinal que faz a todos pensar e levar a refletir na possibilidade de ressurreição. É um convite à fé. Não é ainda a fé. O fundamento da fé na ressurreição foram as aparições de Jesus. Pois só elas tiraram as ambigüidades do sepulcro vazio.

Porém, é bom sabermos que a pregação primitiva sobre a ressurreição não se baseia nos relatos evangélicos do sepulcro vazio e das aparições. A primeira e mais antiga interpretação viu nesses fenômenos não a ressurreição da carne como professamos hoje, mas a elevação e glorificação do justo sofredor. Posteriormente sim, por motivos querigmáticos, é que o sepulcro vazio e as aparições foram interpretados como ressurreição.

No início a comunidade primitiva ficou abalada com a morte de Jesus. O que restituiu a fé dessa comunidade foi o evento inaudito da ressurreição confirmada pelas aparições. A partir dela é que surgiu a pergunta: Quem é Jesus de Nazaré? Por sua ressurreição Jesus não se tornou apenas admirável, mas, sobretudo adorável e proclamado Filho de Deus, o próprio Deus como até hoje professa a fé cristã.

Para o cristão a ressurreição de Jesus é também a grande resposta da realização utópica do ser humano de superar a morte. Com a ressurreição de Jesus, o cristão vê, pela fé, a passagem de plenificação da utopia (que não existe em nenhum lugar) humana para a topia (que existe em algum lugar).

Francisco Geovani Leite
Imagem: Google imagens
No próximo texto - dando continuidade ao tema proposto - trataremos do tema da ressurreição do ser humano. Aguardem!

domingo, 16 de outubro de 2011

Ressurreição: Vida para além desta vida

Estudo sobre o significado da ressurreição de Cristo e a nossa a partir da interpretação de Leonardo Boff

INTRODUÇÃO

O ser humano busca realizar-se em todas as dimensões. É por isso que sempre buscamos dar sentido a nossa existência. Principalmente diante das realidades que nos fazem sofrer. E quem de nós não é conhecedor de algum cenário social que nos apresenta uma sociedade violenta? Experimentamos comumente sinais de morte. E para o ser humano – privilegiado por ter consciência disso - a morte constitui sempre um drama uma angústia.

Diante disso abrem-se questionamentos: que resposta possui a experiência cristã para essas realidades humana, sobretudo de sofrimento e morte? Qual o fundamento cristão da fé na ressurreição? Nos dias de hoje, ainda é possível pregar a ressurreição?

Perguntas como estas se desdobram e sem sombra de dúvidas nos motivam a aprofundar esse tema. O que aqui apresentaremos é - como diz Leonardo Boff - um balbuciar, ou seja, um falar limitado, sobre o significado da ressurreição de Cristo e a nossa.

Para compreendermos o tema em questão organizamos esse nosso “balbuciar” em mais três partes: na primeira tratamos da ressurreição de Cristo; na segunda parte, tendo como base a primeira, aprofundamos sobre o tema da nossa ressurreição e, por fim, na terceira parte, apontamos alguns elementos que podem ajudar os cristãos a pregar hoje a fé na ressurreição.

Nota: Nos próximos dias estarei publicando neste blog as três partes comentadas neste artigo. O conteúdo é uma síntese do meu trabalho monográfico do Bacharelado em Teologia. Este texto, escrito de forma mais sistemática, já está publicado nos Cadernos da ESTEF - Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana de Porto Alegre, RS.
 
Autor: Francisco Geovani Leite
A imagem foi tirada do google imagens.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Crucificado: pode Deus sofrer e morrer?

Pode Deus sofrer e morrer? Segundo Moltmann, a discussão em torno da existência de Deus faz muitos cristãos e teólogos ficarem desorientados diante de questionamentos como “Deus está morto” e “Deus não pode morrer”. Entretanto, desse conflito, abre-se uma esperança de surgir uma teologia conseqüentemente cristã que nos faça perguntar qual o Deus que motiva a nossa fé e quem é Jesus Cristo para nós hoje (Cf. Dios crucificado, p 275-276). Como acreditar, diante do sofrimento, na existência de um Deus onipotente, todo poderoso e sumamente bom? (Cf. artigo. O Deus Crucificado, p. 725).

Em busca de uma resposta as convergentes correntes teológicas, tanto a linha católica quanto evangélica, buscam, através da sofrida morte de Cristo na cruz, compreender a essência de Deus. O Crucificado é, para a fé cristã, a norma e o fundamento de sua teologia. Nesse sentido, para se falar de Deus com uma justificação cristã faz-se importante atualizar o grito de Cristo que em sua morte se vê abandonado por Deus. A morte de cristo, abandonado por Deus, é para o cristão o fim de toda teologia ou o começo de uma teologia especificamente cristã. Sejam quais forem todas as afirmações teológicas (teologia da criação até escatologia, desde doutrina da trindade até a doutrina do pecado) fazem referência ao Crucificado. Enquanto teologia a teologia da cruz não somente fala sobre os significados da cruz de cristo, mas ela mesma se converte em teologia crucificada ( Cf. El futuro da creación, p. 81-83).

Para Moltmann, as novas correntes do pensamento teológico que tentarem compreender a essência de Deus na morte de Jesus tentaram abordar a cruz e ressurreição de Jesus no horizonte da soteriologia. Para ele, não que esteja errado, mas não é suficiente. Para ele há de se perguntar qual o significado da cruz de Cristo para o próprio Deus. Assim, Moltmann lança questionamentos: Como pode ser a morte de Jesus um predicado divino? Isso não significa uma revolução no conceito de Deus? (Cf. El Dios crucificado, p 277-278).

Dos teólogos citados por Moltmann, citamos o trabalho de dois grandes teólogos, um católico e outro protestante, que buscaram compreender a morte de Jesus como morte de Deus. O primeiro citado é teólogo católico Karl Rahner que já em 1960 entendeu a morte de Jesus como a morte de Deus. Segundo Moltmann, Rahner pretende pensar a morte Jesus não apenas em seu efeito salvífico, mas em si mesma (Cf. El futuro da creación, p. 85). “Posto que não se deva aceitar que a morte não toque a Deus, precisamente esta morte nos revela a Deus”. (Cf. El Dios crucificado, p. 278-279) . Da parte protestante Karl Barth propõe em sua doutrina da predestinação e da reconciliação uma teologia da cruz. A divindade de Jesus é revelada na humilhação até a morte da cruz, enquanto sua humanidade é revelada de forma clara em sua exaltação. Ao unir doutrina das duas naturezas com a doutrina do protestantismo antigo sobre “humilhação e exaltação”, Barth conduz uma nova compreensão “histórica” do ser de Deus, onde mostra na história da humilhação do Filho de Deus e da exaltação do Filho do homem, o ser de Deus. Entretanto, Barth faz essas afirmações no contexto soteriológico (Cf. El futuro da creación, p. 86-87). Para o teólogo da esperança o limite de Barth está em pensar demasiadamente teo-logicamente e não com suficiente decisão trinitária. Ao falar da presença de Deus mesmo na cruz de Cristo ressalta que Deus (estava) em Cristo, empregando assim um simples conceito de Deus, sem desenvolvê-lo sob o aspecto trinitário (Cf. El Dios crucificado, p 281).

Texto de: Francisco Geovani Leite
Imagem extraída do Google Imagens
Para um maior aprofundamento do tema sugerimos o estudo do segundo capítulo da obra: Da Apatia à Compaixão: O sofrimento de Deus no sofrimento de Cristo e da Criação a partir de Jurgen Moltmann.

sábado, 27 de agosto de 2011

Da Apatia à Compaixão. O sofrimento de Deus no sofrimento de Cristo e da Criação a partir de Jurgen Moltmann

Conheça a obra: Da Apatia à Compaixão. O sofrimento de Deus no sofrimento de Cristo e da Criação a partir de Jurgen Moltmann. Porto Alegre: ESTEF, 2009. 

Autor: LEITE, Francisco Geovani
Valor: 10,00 + frete

 O sofrimento faz parte da vida contingente da criação. Diante dele torna-se inevitável a questão: Onde está Deus quando sofremos? A fé cristã tem sua razão de ser em Cristo, o Crucificado-ressuscitado. Na paixão, o Filho de Deus, historicamente sofre a morte no abandono do Pai.
É sobre o sentido teológico do sofrimento e da morte que Francisco Geovani Leite, leigo e Mestre em Teologia pela PUC-RS, escreve suas reflexões a partir da obra do renomado teólogo alemão Jurgen Moltmann. Junto com o tom pessoal do autor, o livro é, certamente, uma interessante introdução ao pensamento de um dos grandes teólogos da atualidade.  (Texto extraído do site da ESTEF - Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana)





terça-feira, 9 de agosto de 2011

O veneno está na mesa

              O Brasil, desde 2008, é o país que mais consome agrotóxicos no planeta.
            Acesse o site abaixo e assista o vídeo que denuncia este crescente mal da nossa agricultura nacional:


Imagem: Extraída do Google imagens. 

domingo, 26 de junho de 2011

Educação e Transcendência

Para Marlon L. Schock, “a percepção sensitiva não exclui a apreensão cognitiva”. É a partir da abordagem antropológica que a transcendência e o sagrado podem ter relação com a educação. A partir desta compreensão, Schock – que acredita que é possível educar para a transcendência – destaca quatro eventos que impulsionam o ser humano a transcender, a saber: “o desejo e a vocação para ser mais; a criticidade e a conscientização; a utopia crítica e esperançosa; o relacionamento e a afetividade”.

Ao tratar de educar o desejo e a vocação para o ser mais, Marlon - baseando-se no pensamento do pedagogo Paulo Freire - lembra que o ser humano, ao desejar o infinito, o ilimitado, tem consciência de sua incompletude. E é justamente nesta incompletude humana que encontramos o núcleo fundamental da educação humana. É tendo consciência de que é um ser inacabado que o ser humano busca o conhecimento. Sentindo-se incompleto o ser humano também busca a sua plenitude. Este desejo de transcender (conhecer mais) é o que leva o ser humano ao processo da educação. Pois, para Freire, o que faz com que o ser humano permaneça sempre em processo de busca é a consciência humana de que somos seres inacabados. Ser mais faz parte da vocação humana e é o que faz nascer em nós a capacidade de nos compreendermos.

O ser humano também é dotado de natureza crítica, e quando suas questões deixam de ser respondidas gera-se a inquietude humana. E é a inquietude humana que o faz transcender para alguma direção. Criticidade e esperança caminham juntas. Uma não é maior do que a outra. Com base no pensamento de Freire pode-se dizer que, frente às dificuldades da vida, uma das principais funções da educação é dar condições de promover a consciência para transcender qualquer tipo de realidade desumanizante. E é compromisso da educação conscientizar-nos da capacidade de transcender essa realidade, reinventado o mundo sem necessariamente repeti-lo ou reproduzi-lo. Tornamos-nos educáveis porque compreendemos que é possível lutar para transformar a realidade injusta.

Para Freire, aprender é uma paixão fundamental para o ser humano. E o desejo é o elemento básico do sujeito que aprende. Nesta perspectiva vale destacar que há uma íntima relação entre desejo, prazer e aprendizagem. A vocação humana para ser mais se estabelece justamente nas tensões existentes nessa dinâmica dialética da incompletude e do desejo humano.

Para a nossa sociedade pós-moderna a esperança é algo indispensável à existência. Já para Paulo Freire a esperança é algo ativo e fundamental para o ser humano, que é maior do que a realidade e as circunstâncias que lhes são impostas. A matriz da esperança é a consciência do ser humano de saber-se inacabado. Nesta perspectiva a educação é para Freire um permanente processo de busca que tem como fundamento a esperança.

Freire acredita que para a educação humana não basta apenas a formação técnica e científica. É preciso também o sonho, a utopia. Pois, a esperança é vital para a existência humana. Sem esperança, não vamos a lugar algum. Mesmo diante das dificuldades da vida, manter a esperança é condição necessária para a hominização. Todavia, esperança na libertação ainda não é libertação, é preciso lutar pela libertação. O discurso neoliberal que recusava a utopia, os sonhos, foi denunciado por Freire. Para ele, a tarefa do educador é desvelar as possibilidades para a esperança, o sentido maior de lutarmos.

A educação precisa tratar de uma esperança crítica que impulsione o ser humano a superar a realidade que vive. Nesse sentido perceberemos a educação como algo dinâmico e criativo. A educação precisa ser sempre repensada e reinventada. Ela deve pensar a formação do ser humano de forma integral, ou seja, precisa atingir o ser humano em várias dimensões. Dessa forma a educação nos ajudará a vislumbrar o sentido das coisas dentro de um projeto de vida. Assim a esperança colabora para que a educação dê sentido à vida.

Educação também tem a ver com relacionamento e afetividade. Freire, por seu exemplo de vida, foi um ser humano de profundas relações. Para ele o amor é a forte base que liga e mantém unido os vínculos afetivos. Assim como a utopia é indispensável à vida humana igualmente o é o amor. Não há educação sem amor. Um amor capaz de amar os seres inacabados, com todas as pessoas que socialmente estão desprovidas de cuidados e atenção.

Dotado de conhecimento de textos da Palavra de Deus, Freire nos recorda a importância do amor altruísta. Um amor que deixa de lado todo o medo de amar. Um amor que possibilita a transcendência humana. Pois, sem amor não há transcendência nem profunda educação. A transcendência, assim como o processo de educar, se dá no encontro do outro.

Contemplar na educação apenas o conhecimento cognitivo do aluno deixa grandes lacunas ao longo da vida adulta. É importante lembrar que a educação é lugar para o convívio e o amadurecimento afetivo. A afetividade (manifestada no carinho, toque...) rompe barreiras. Por isso, é função do educador criar um ambiente favorável onde o educando possa manifestar e expressar suas emoções.

Francisco Geovani Leite
A imagem acima foi extraída do site: Google Imagens.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Nanotecnologias: fascínio e riscos

Dos dias 26 a 29 de maio de 2007 aconteceu, na UNISINOS em São Leopoldo-RS, o Simpósio Internacional em torno das nanotecnologias com o tema: Uma sociedade pós-humana? Possibilidades e limites das nanotecnologias. As palestras foram proferidas por diferentes personalidades da área científica, vindos de diversos estados brasileiros e de outros dois países, EUA e Itália, que estão ligados diretamente com pesquisas sobre o assunto das nanotecnologias. A presença de pessoas interessadas no assunto não foi tão grande. Creio que estiveram presentes mais pessoas de outros estados brasileiros do que propriamente RS.
      Nestes quatro dias de Simpósio foram proferidas nove palestras e dezenove minicursos, com possibilidades de escolha de dois minicursos por participantes. Destas participei de todas as palestras e optei pelos seguintes minicuros: As nanotecnologias o ser humano. Uma reflexão ético-teológica proferida pelo professor Dr. Eduardo Rodrigues da Cruz – PUC-RJ e Os impactos tecnológicos, sociais, ambientais, econômicos e regulatórios das nanotecnologias pelo professor Dr. Paulo Antônio Zawislak – UFRGS. Saliento aqui que esta foi o meu primeiro contato mais afundo em torno do tema das nanotecnologias. Em vista da limitação sobre este tema não colocarei muitos dados técnicos, apenas ficarei restrito, enquanto estudante de teologia, em apresentar simplesmente as impressões que tive sobre este Simpósio.
      Imaginemos um grão de área em um metro de praia. Agora, tente imaginar, um grão de areia em um km de praia. Vamos um pouco mais e tente agora imaginar um grão de areia de 1mm em mil km de extensão. Pois bem! Este grão de areia está para esta praia como um nanômetro está para o metro. Achas que isso é impossível? Apesar de fugir da nossa compreensão sensitiva isso não se trata de ficção científica ou “conversa para boi dormir”. Estamos falando aqui de nanotecnologias. Ou seja, as tecnologias que permitem a construção de materiais a uma escala de 1 nanômetro.
      O conceito de nanotecnologia tornou-se popular nos anos 80 através da obra “Engines of Creation” (Motores da Criação) do Norte Americano Eric Drexler. No mundo Drexler foi o primeiro cientista a doutorar-se em nanotecnologia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) nos EUA. Por isso, Drexler é tido por muitos como o pai da nanotecnologia. Ele esteve presente conosco no segundo dia do Simpósio e creio ser relevante destacar alguns elementos daquilo que ele apresentou.
      “Homens que criam máquinas e máquinas que criam máquinas. Máquinas capazes de distinguir células doentes das boas de células sadias e de fazer correções com grande precisão. Levando em conta o aspecto econômico, os países que não entrarem na revolução das nanotecnologias ficarão para trás”. Estas foram algumas das frases centrais de Eric Drexler que muito me chamaram a atenção em sua palestra intitulada Os nanosistemas: possibilidades e limites para o planeta e a sociedade. E como pai, obviamente não deu muita ênfase aos perigos que as nanotecnologias podem causar para a humanidade e ao planeta, mas tão somente dos benefícios que elas podem trazer a todos. Drexler fala de tal forma que nos conduz ao fascínio (ter grande atração e deslumbramento) diante das nanotecnologias. Segundo ele as nanotecnologias é uma revolução para todas as áreas da vida humana e trazem muitos benefícios. Neste contexto afirma Drexler em sua entrevista à UNISINOS: “Os benefícios potenciais são enormes, em todas as áreas em que seres humanos possam fazer coisas, ou usar coisas que tenham feito: a perspectiva é melhorar muito produtos com grandes reduções de custos, tanto em termos financeiros quanto em se tratando de impacto ambiental” (Revista IHU On-Line. N. 259. Ano VIII, p. 22.).
      Foi, entre os palestrantes, o economista e presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, o brasileiro Gilberto Dupas, quem apresentou maiores questionamentos em torno do progresso prometido pelas nanotecnologias. Em sua palestra proferida no primeiro dia do Simpósio salientou que, por atrás de todo anúncio de progresso em nanotecnologia, está o fascínio da lógica do capital. Dupas recordou com clareza que nos últimos 20 anos é drástica a relação do ser humano com a natureza. Segundo ele, hoje são evidente os impactos das tecnologias sobre os seres humanos e a natureza. Estamos diante do paradoxo: a tecnologia que garante a vida pode no-la tirar. Tendo em vista o fator econômico, os riscos sempre ficam para depois. Dupas é claro e enfático na afirmação de que, assim como na revolução da informática e das telecomunicações a partir de 1970, também as nanoctecnologias trarão imensos impactos na nossa sociedade, sobre nós e o meio ambiente.
      No caso específico das nanotecnologias, Dupas afirma que são incríveis as possibilidades e altíssimo também os riscos. Em seu artigo Nanotecnologias: mais um mito do progresso? , apresenta dois casos já constatados de impactos negativos causados pela nanotecnologia que ele chama de mito do progresso. Assim rela que, “pesquisadores do US Environment Protection Agency (EPA) já reportaram nanopartículas encontradas em fígado de animais de laboratório, vazamento para células vivas e o risco de novas bactérias desconhecidas atingirem a cadeia alimentar. E a Sociedade Americana de Química anunciou, em agosto de 2007, que algumas novas formas de carbono (nanotubos) em produção já estão causando sério impacto ambiental com a emissão de substâncias tóxicas e cancerígenas”. (Revista IHU On-Line, n. 259, ano VIII, p. 11.)
      Sem dúvida alguma, as nanotecnologias, como apresentadas nas duas posturas acima, causam fascínio e riscos evidentes. No dia 30 de maio de 2008, às 7:35, ao colocar o termo “nanotecnologias” na busca do Google encontrei, em 0,24 segundos, 102.000 artigos tratando sobre o assunto. Com isso quero dizer que muita coisa já está sendo produzido em torno desta nova tecnologia. Claro que muitos desses artigos são informações nada científicas. Mas torna necessário e urgente nos apropriarmos de informações seguras sobre esse tema que diz respeito diretamente do nosso futuro e para onde caminhamos enquanto humanidade.
      As nanotecnologias, como se percebe através das palavras dos seus empolgantes amantes, prometem milagres. Com o prolongamento da vida humana de forma infinita, através da regeneração de células e do hibridismo (homem-máquina), a vida eterna deixa de ser sonho e se torna realidade. Para quê Deus, se somos capazes de criar homens-maquinas? Homens que criam máquinas e máquinas que criam máquinas. Esta frase não é minha, mas de Drexler, o pai da nanotecnologia. Observe-se que o termo criação é empregado por um cientista que, em nenhum momento de sua palestra, ou em sua entrevista a revista IHU, fala de Deus. Talvez, pior do que falar da não existência de Deus, seja não falar de Deus.
      A gaúcha e doutora em física Solange Binotto Fagan afirma que as nanotecnologias são, por natureza, um estudo transdisciplinar. Nesta ótica acredito que a reflexão teológica não pode ficar alheia aos debates em torno dos avanços e riscos que emergem das pesquisas em nanotecnologias. A meu ver, precisamos estar atentos ao pensamento hegemônico e unilateral dos cientistas. Nos discursos exacerbados em torno dos benefícios é bom sermos críticos para averiguarmos se realmente os benefícios serão tantos e se o serão para todos os seres humanos e para a natureza, como prometem os nanocientistas.
      Não se trata de colocar-se contra as tecnologias; mas é de estarmos cientes de estarmos informados e sermos criteriosos na avaliação dos resultados, pois, normalmente, todo desenvolvimento tecnológico comporta um ônus que recai sobre a população inteira. Pelo que se percebe, no desenvolvimento nanotecnológico , fascínio e riscos caminharão juntos. Como teólogos e teólogas, somos convidados a tomar parte nessas discussões, que já estão presentes no mundo, e saber ponderar o que realmente queremos e o que realmente convém, ou seja necessário para o bem da espécie humana ou de uma determinada população.

Autor: Francisco Geovani Leite          A imagem acima é extradída do Google imagens.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um lugar teológico especial: a Terra


          Tanto o fórum Social Mundial como o Fórum Mundial de Teologia e Libertação aconteceram neste ano de 2009 na região pan-amazônica, em Belém do Pará. Isso tem um significado especial para ambos os Fóruns: é uma região extremamente e urgentemente significativa para a continuidade da vida no planeta Terra. Evidentemente, não de forma isolada. Mas por sua biodiversidade e por sua concentração de riquezas vitais, e pelas sociedades e movimentos sociais que na região buscam integração justa com as outras formas de vida, a Amazônia é o “Rubicão”, o símbolo da decisão pela vida ou pela morte. Ora, isso não é apenas um acontecimento social ou político ou cultural ou mesmo biológico, é algo que tem a ver com Deus mesmo. É uma questão profundamente teológica.
          Há mais tempo teólogos e teólogas se esforçam por entender este sinal dos tempos, este decisivo “lugar teológico”, onde a teodicéia enfrenta a pergunta crucial: a última palavra será da morte sobre a terra? Onde está o Deus Criador e Redentor? Onde está a possibilidade de Reconciliação que inclua todas as criaturas? Como fica a afirmação dolorosa, mas também esperançosa, de Paulo: “A criação foi submetida à vaidade – não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu – na esperança de ela também ser liberta da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus. Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente. E não somente ela. Mas também nós que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo”(Rm 8, 20-23).
          Apocalipse Now – agora! Esta sensação de ameaça global que pesa cada vez com mais rapidez sobre nós diante da precipitação das mudanças climáticas, do excesso de lixo e poluição em todos os sentidos, da crise de recursos e de energia, isso que já se tornou um refrão incômodo que nos martela, seria um apocalipse sem o Filho do Homem, sem o Anjo que abre os selos da história, sem a Mulher que gera e salva a vida gerada? Sem uma Nova Jerusalém, sem Novos Céus e Nova Terra? Estamos diante de um desafio tremendo para a esperança humana e para as afirmações da escatologia bíblica e cristã que chega até a fé na criação divina: Somos criação divina de um Deus que leva a bom termo a sua criação?
          É isso mesmo que o Fórum de Belém quer se colocar como horizonte de discussões teológicas. Há nessa crise um fundo antropológico: quem somos nós, estes que a mãe terra parece ter gerado para sua perdição? Afinal, diversamente de crenças anteriores, sabemos que é o ser humano que está destruindo rapidamente as condições de vida sobre a terra. As velhas questões entre Igreja e Estado, entre fé e ciência, entre mundo religioso e mundo secular, tornam-se pequenas diante desta Grande Questão. Ora, tanto pelo seu lado de questão como pelos recursos, verdadeiros tesouros, que se apresentam através de uma nova visão do mundo desde a espiritualidade, a Terra se torna hoje um grande e privilegiado “lugar teológico”. Nos sinais que temos há provocação profética e há revelação divina. Sobre nós pesa um juízo, é verdade, mas também ressoa um grito maternal de misericórdia e de chamada à ressurreição.
          Ressurreição, esta palavra central da fé cristã, diz respeito aos corpos, à sensibilidade, às relações e até aos desejos, mas de forma divinamente transfigurados. Se somente a ressurreição pode nos salvar realmente, salvando-nos com o corpo vivido, com a sensibilidade e os abraços dados, somente a ressurreição em conjunto com a Terra, com os corpos das outras criaturas, com outras formas de vida, pode ser real ressurreição. Ficou famosa a afirmação do chefe índio Seathl, da tribo Suwamish, em 1855: “Seja o que for que aconteça aos animais e plantas, acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. O que suceder à terá sucederá também com os filhos da terra”. Nisso o índio que enfrentou o governo americano estava do lado da afirmação de São Paulo, ainda que dito de outra forma: a injustiça humana se torna injustiça para com a Terra e a injustiça para com a Terra se torna injustiça humana. A alma humana está encravada na terra, de tal forma que poderíamos também ler de outra forma a afirmação de Jesus: que adianta ao homem querer salvar sua alma se vier a perder a Terra? Almas sem corpos e sem um lugar terreno para habitar são fantasmas inquietos e desejos sem repouso. Mas a Terra aonde até Deus veio habitar é realmente um lugar teológico privilegiado que hoje dá o que pensar mais do que em todas as épocas anteriores da humanidade. Pode um fórum dar conta disso?

Texto: Luiz Carlos Susin (Doutor em Teologia e Secretário executivo do Fórum Mundial de Teologia e Libertação)
Site: Veja do lado direito do nosso blog o acesso direto ao site pessoal do autor.

domingo, 25 de outubro de 2009

SENTIR DEUS


        "Eu sou ateu". Ainda que não estejam convictas do que estão falando, algumas pessoas da nossa sociedade hiper moderna, gostam de dizer essa frase. Parece-me que professar a fé no ateísmo está se tornando moda. Por outro lado, dizer que acreditamos em Deus torna-se cada vez mais algo constrangedor para aqueles que creem. Por isso, não é fácil dizer, numa roda de amigos, que “senti Deus” em minha vida.
        Fazer uma experiência íntima com Deus é crer que ele se manifesta na história da nossa vida. E, apesar do surgimento de tantos “ateus professos”, ainda têm pessoas convictas de sua fé e, que por serem sensíveis ao mistério divino, faz sua experiência pessoal de Deus.
      Há alguns dias, conversando com a minha mana Silange, ela comentou: por que você não escreve sobre o “sentir Deus”?! Em seguida, sem que eu perguntasse qual era a sua experiência, ela me disse: “Eu sinto forte a presença de Deus quando estou pescando. Sobretudo quando estou na beira do rio... Aquele silêncio me dá uma tranqüilidade... uma tamanha paz, que eu não sinto em nenhum outro lugar”.
        Sim minha irmã, isso é sentir Deus. A experiência de Deus vai além das paredes institucional de qualquer religião. A experiência de Deus acontece quando e como menos esperamos. O que aconteceu contigo é que você encontrou seu locu (lugar) da experiência divina. Algo que acontece com muitas pessoas, que se dizem ser atéias, por não terem encontrado esse lugar. E cada um de nós, que acreditamos em Deus, precisamos buscar e encontrar o nosso locus revelador da presença de Deus.
        Eu também tenho a minha experiência da manifestação divina. Eu sinto Deus no silêncio e quando estou com as pessoas que amo. É um sentimento inexplicável. E é por isso mesmo que acredito estar sentindo Deus. Assim como a gente não consegue definir o amor, o sentir Deus também foge a nossa compreensão racional. É uma experiência íntima tão grandiosa que as palavras não conseguem abarcar, e nem dizer, tamanho mistério.
        A meu ver, o mundo carece de pessoas que sentem Deus. Pois, quanto mais se senti Deus, mais vulnerável ficamos ao amor e ao sofrimento. E essa é a dialética da vida humana: Quem ama sofre e sofre porque ama. Por isso, professar que senti Deus é um ato de coragem para os nossos dias.
        Elimine o pensamento de encontrar Deus em fatos extraordinários da vida. Sinta a vida e Deus nas coisas simples. Pois é na simplicidade de uma pesca, na simplicidade da amizade, na simplicidade do amor, na simplicidade de um olhar de uma criança... é que fazemos a experiência do sentir Deus. Pense bem! Talvez você já tenha o seu lugar revelador da presença de Deus. Descubra-o e sinta!

Texto: Francisco Geovani Leite
Imagem: Google imagens.



domingo, 18 de outubro de 2009

TENHO O MEDO


Sim! Tenho medo... Quem é que não sente essa força inevitável que por vezes é maior do que nós? E que bom que o tenhamos. O medo habita o íntimo do nosso ser e faz parte da nossa condição humana de mortais. Dentro de certa medida ele é até necessário para a nossa sobrevivência. Todavia, quando o medo foge do nosso controle ele pode nos prender ao anelo da morte, conduzindo-nos ao descontrole físico, psíquico e espiritual. É aí que é preciso ter o medo, antes que ele nos tenha sobre o seu controle.

Em minha vida o medo me incomodava muito. E eu sempre buscava amenizá-lo fugindo dos desafios que causavam os medos. Por muito tempo fui incapaz de enfrentá-lo, até que um dia eu decidi: não vou mais fugir dos meus medos. Vou encará-lo! Se eu fugir, vou continuar sendo vencido por ele. Mas, se encará-lo, vou ter o medo em “minhas mãos”. Foi assim que resolvi fazer um pacto com os meus medos que, por fraqueza e bobagens, coloquei-os em minha vida.

Quando eu comecei a questionar os meus medos notei que eles não eram tão problemáticos como aparentam. Hoje estou até me sentindo amigo deles. E estou percebendo que esta está sendo a melhor forma de lidar com ele. Até descobri que grande parte deles não é real.

Claro que ainda tenho medo e continuarei tendo-o. A sutil diferença é que alguns dos meus medos sofreram mutação e outros simplesmente desapareceram no itinerário da vida matura. Quando criança eu tinha medo de escuro e de ver uma alma penada. Superei-os! Hoje o meu medo é outro. Tendo medo da solidão e de chegar ao fim da vida sem ter feito o que eu queria. Este é o meu mais novo medo que estou enfrentando até “domesticá-lo”.

Rubem Alves, ao escrever sobre o medo em seu site pessoal, colocou o título: “Tenho medo”. Aqui coloquei a vogal “o” (Tenho o medo) no centro do título para lembrar a mim mesmo, e a quem desejar, que, ao fazer “amizade” com os meus medos, agora sou eu que estou no controle da minha vida. Pois acredito que, ou a gente controla os nossos medos ou, caso contrário, eles nos controlarão. E, estou certo, que cada vez mais, tenho os meus medos sobre o meu controle. Vou usá-los como desafios para o meu crescimento humano. Portanto, viva com os seus medos, mas tenha-os conscientemente sobre o seu domínio.

Texto: Francisco Geovani Leite

Imagem: Google Imagens

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

É MELHOR A COMPAIXÃO

        
          No primeiro semestre deste ano, organizei o texto de defesa do meu Mestrado e, transformei-o num artigo. Este artigo está publicado, sob o Nº 42-2009/1, nos Cadernos da ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana), em Porto Alegre-RS. O título do Caderno leva o nome do meu artigo. Ou seja, Da apatia à compaixão.

          Aqui eu não quero escrever sobre o meu texto. Mas, quero expor as ideias que meu amigo e Teólogo, Adelino Pilonetto, diretor dos Cadernos da ESTEF e corretor de minha obra e artigos, escreveu na introdução da revista teológica. O título que ele deu foi: É melhor a compaixão. Leiamos, na íntegra, parte do seu belíssimo comentário:

          Triste mundo o dos apáticos, dos indiferentes, impassíveis à sorte dos outros. Só pode ser um mundo sem energia, talvez cínico e tirano, que leva à indolência e à covardia. Já se pensou (e talvez ainda haja quem pense) ser Deus assim também: impassível, apático. Que se dane o mundo, diria Deus, eu sou feliz. E nós, criados à sua imagem tenderíamos a repeti-lo. Mas Deus não é essa caricatura. Se ele não tira o mal do mundo como se tira o pó do espelho, é porque capacitou o ser humano a organizar-se contra o mal. Ele não institucionaliza o milagre, mas, em Jesus da Nazaré, assume a humana dor e lhe sofre toda a tragicidade. Nasceu numa estrebaria, morreu numa cruz qual um amaldiçoado. Na cruz, entretanto, Jesus não estava sozinho. Com ele estava o Pai. Estava o Espírito. A Trindade inteira gemeu na cruz, sacudida pela sentença atroz, mas não se afastou dos humanos. Deus não fica de costas para os que sofrem, é um Deus crucificado também.

          Contudo, é verdade que, dissociados de Deus, os seres humanos andam por descaminhos escuros, quando poderiam, sob o olhar de Deus, encontrar a claridade do sentido e a força do amor. Há um mistério de dor que se cruza com o mistério do amor. Por isso pedia a Deus santa Teresa D’Ávila que lhe concedesse “Sofrer e Amar”. No amor, o sofrimento sai do abismo, encontra a ponte para evadir-se do inferno que é o isolamento, e aponta para a comunhão de esperança.

Imagem: Google busca.

sábado, 3 de outubro de 2009

SABER CUIDAR DO AMOR


       Quem ama cuida! Assim diz o poeta, o cantor, o escritor e tantas pessoas que procuram uma linguagem adequada que o ajude a expressar essa bela atitude de quem porta em si o dom de amar. Contudo, somos cientes de que na convivência, por vezes, nos deparamos com testemunhos contrários. Então, como compreender o amor e a bela arte de saber cuidá-lo?

      Pra mim, o amor é um sentimento nobre que pode ficar pobre, se não há cuidado. Nos meus aconselhamentos, algumas pessoas dizem que perderam o sentimento do amor. Acredito que isso realmente pode acontecer. E isso acontece quando se deixa de lado a simples atitude do cuidado. No descuido em relação ao amor, a incompreensão e a falta de ternura levam o amor a perder a sua beleza. Assim, as virtudes que existiam no início do relacionamento amoroso aos poucos vão perdendo a sua força atrativa, criativa e dinâmica. O fogo da paixão se consome em lenhas de amarguras, angústias e sofrimentos!

      As marcas do tempo, como um cruel vilão, aparecem. A beleza física deixa de ser a mesma. E as primeiras vítimas que se deixam consumir pelo inimigo do tempo são justamente aqueles que dão maior importância ao ter e ao poder. Todavia, se há amor verdadeiro (de verdade verdadeira, como me disse uma pessoa especial) o tempo, como algoz, não apaga a beleza essencial que dá sentido ao amor. Pois aos olhos de quem ama, o amado/a é sempre o mesmo/a.

      Para quem sabe cuidar o amor é cego. E ainda bem que ele seja assim. Pois o amor não tem olhos para o ter e o poder, frutos da retribuição. O amor tem os olhos da gratuidade. E a gratuidade faz parte do amor assim como o amor faz parte da gratuidade. Não há amor verdadeiro sem gratuidade, nem gratuidade que não seja uma atitude do amor. Portanto, se amo esperando retribuição e não gratidão, aí ainda não há amor verdadeiro.

      A essência do amor é a liberdade. Ninguém pode prender ou impedir o sonho de ninguém. Muito menos de quem ama. Onde há dominação de sonhos não há amor e sim sentimentos mesquinhos de poder e controle sobre os sentimentos. E o mais cruel dos sentimentos mesquinhos é o ciúme desmedido. O ciúme é o contrário do cuidado. O ciumento acredita que o outro é seu objeto e, que por isso, não o deixa livre para ser ele/a mesmo/a.

      Busquemos viver o amor com intensidade. Cuide-se de si mesmo e de quem (pessoa) ou de que (causa) você ama! Pois, o amor é expressão divina presente no sentimento humano que exige primeiramente amor próprio. Assim, vivendo o seu amor na gratuidade, você sentirá a liberdade de ser você mesmo em plenitude. Isso é saber cuidar do amor!

A imagem: google busca.                                                                    Texto: Francisco Geovani Leite


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O "APRENDIZ" DA VIDA

Durante anos vivi em função do futuro e de afazeres institucionais. Progredi com títulos acadêmicos e religiosos. Como frade, tive funções de confiança, até invejosa para quem gosta da dimensão hierárquica de poder e não do serviço (servo). E como estudante, obtive o grau de mestre. Todavia, isso não foi suficiente para o encontro pessoal comigo mesmo. Existencialmente notei que a busca por realizações (afazeres) externos aos poucos foi me deixando no vazio interior.
Este ano está sendo o meu ano de aprendiz. É indubitável que não estou aprendendo a administrar nenhuma empresa. Mas estou aprendendo a "administrar" e viver a vida de forma diferente. Estou vivendo com intensidade em função do presente. Cada vez mais quero sentir a vida nas coisas simples da nossa existência (na beleza da natureza, na inocência da criança, na experiência de um idoso...), lá onde se encontram os valores essenciais da vida. 
Como "o aprendiz da vida" estou me moldando em tudo aquilo que aprendi até o momento. Por isso, sou grato pela minha experiência de vida, pelas derrotas, angústias e vitórias. 
O despertar da vida se faz necessário! Muitas vezes sinto que vivemos como num profundo sonho em que fixamos nossa mente em realidades inexistentes ou pouco importantes para o crescimento humano. Com o despertar da vida aprendemos a experienciar o presente e a dar valor ao essencial que se faz invisível aos nossos olhos, como diz Antoine Saint-Exupery na obra O Pequeno Príncipe.      
A imagem acima foi copiada do Google imagens.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DA APATIA À COMPAIXÃO. O sofrimento de Deus no sofrimento de Cristo e da Criação a partir de Jürgen Moltmann

Creio que você já ouviu falar sobre o tema do sofrimento da criação. Ou seja, o sofrimento que afeta o humano, a natureza e os animais. Porém, você já ouviu falar do sofrimento de Deus? Ou como, pelo nosso indiferentismo (apatia) causamos mais sofrimento às criaturas (pessoas, natureza e animais)?

Na obra intitulada "Da apatia à compaixão..." eu procuro aprofundar esse tema, sob uma ótica pouco tratada na teologia cristã: a ótica da compaixão.

Desenvolvido em três capítulos o livro fala do sofrimento da criação, muitas vezes fruto das contradições do nosso mundo técnico científico, e também do sofrimento de Deus que se revela em Jesus Cristo.

Ao pesquisar sobre este tema fui dando conta de que a APATIA ( o estado de indiferença) é um dos grandes males causadores de sofrimento da criação. Notei também que a teologia cristã trabalha um conceito de Deus que não nos ajuda a compreendê-Lo como sendo um Deus compassivo. Ou seja, que está conosco em todos os momentos, inclusive nos agustiantes momentos de sofrimento.

Quem tiver a oportunidade de ler este livro verá que a compaixão é um belo sentimento. Quem se deixa tocar pela compaixão, demostra aquilo que é a essência da pessoa humana. Somos, por essência, seres sensíveis, que nos importamos uns com os outros e com as demais criaturas (natureza e os animais).

Quem desejar ter conhecimento dessa obra, entre em contato comigo através do email: geovani2007@gmail.com.

domingo, 20 de setembro de 2009

É PRECISO COMEÇAR PELO COMEÇO

Bem! é preciso começar....
Todo começo é obscuro e incerto. Todavia, apesar da incerteza, ao menos temos a esperança de que o desejo de começar despertou em nós.

As iniciativas da vida são assim. Elas saem da cabeça e descem às mãos e aos pés no profundo desejo de tornar aquilo que se pensa e deseja em algo concreto e real.
Por isso, aqui estou... começando esse blog na certeza de que é preciso começar pelo começo. E o começo é justamente isso... é começar... nem que seja refletindo o que se deseja realizar...

Frase de Oswaldo Montenegro:

"Me apaixonei por um olhar, por um gesto de ternura"